Mariana ajustou o blazer de linho enquanto saía do táxi em frente ao hotel na Avenida da Liberdade. Três dias de reuniões em Lisboa, e a única coisa que conseguia pensar era em como Ricardo a olhava durante a apresentação daquela tarde. Não era um olhar profissional. Era o tipo de olhar que fazia a pele da nuca arrepiar, que deixava as pernas ligeiramente instáveis sob a mesa de conferência.
O Convite Inesperado
O telefone vibrou no bolso. Era uma mensagem dele: “Jantar no rooftop? Precisamos falar sobre o projeto.” Mariana sorriu para a tela. O projeto estava praticamente fechado. Aquilo era outro tipo de proposta.
Subiu para o terraço do hotel vinte minutos depois, com um vestido negro que escolhera quase por instinto. O céu de Lisboa estava em tons de laranja e rosa, o Tejo brilhando ao fundo como uma fita de luz líquida. Ricardo estava encostado na balaustrada, com uma taça de vinho tinto na mão e a manga da camisa arregaçada até o cotovelo. Ele a viu e algo mudou na expressão — os ombros ficaram mais tensos, o olhar mais escuro.
— Você não veio falar do projeto — disse Mariana, pegando a taça que ele oferecia.
— Não — ele confirmou, sem rodeios. — Vim porque se eu passar mais uma hora sentado ao seu lado sem tocar em você, eu perco o juízo.
O vinho teve um gosto diferente depois disso. Mais denso, mais quente. Mariana sentiu a frase descer pela garganta e se espalhar pelo corpo inteiro, como uma onda de calor que começava no peito e ia até a raiz das coxas.
A Tensão que Quebra
Jantaram com conversas que oscilavam entre o seguro e o perigoso. Falavam de clientes, de prazos, e nos intervalos o silêncio era tão carregado que parecia vibrar. Quando a sobremesa chegou, Ricardo passou o polegar pelo bordo da taça e disse, com a voz mais grave:
— Sabe de uma coisa? Desde o aeroporto eu estou imaginando como é o seu cabelo solto, como fica a pele do seu pescoço sem aquele colar de pérolas.
Mariana respirou fundo. O ar da noite estava morno, cheirando a jasmim e a sal do rio. Ela poderia ter dito alguma coisa inteligente, alguma coisa que mantivesse a fachada corporativa. Em vez disso, levantou a mão e tirou o colar, deixando-o sobre a toalha de mesa.
— Descobre — disse.
Ricardo não precisou de segundo convite. Pagou a conta em menos de dois minutos, e o elevador do hotel pareceu demorar uma eternidade. Quando as portas se fecharam, ele a pressionou contra a parede de espelho, as mãos nos quadris dela, o corpo inteiro colado. O beijo foi imediato, urgente, com a fome de quem esperou dias inteiros. A língua dele encontrou a dela e Mariana soltou um som que não reconheceu como próprio — baixo, needs, quase um gemido.
Quarto 412
A porta do quarto se abriu com o cartão tremendo nas mãos de Mariana. Ela entrou primeiro, e antes que pudesse acender a luz, Ricardo a puxou pelos pulsos e fechou a porta com o pé. A escuridão era cortada apenas pela luz prateada da lua entrando pela janela grande.
Ele a empurrou de leve contra a parede, e os lábios dele desceram pelo queixo, pelo pescoço, exatamente onde o colar estivera. A boca quente e úmida naquela pele recém-libertada fez Mariana arquear as costas. As mãos dela foram para o cabelo dele, os dedos se entrelaçando nos fios escuros, puxando-o mais para perto.
— Esse vestido — murmurou Ricardo contra a clavícula dela, os dentes roçando levemente — me deixou maluc o dia inteiro.
Os dedos dele encontraram o zíper nas costas e o desceram devagar, centímetro por centímetro, como se quisesse prolongar cada segundo daquele desmoronamento. O tecido escorregou pelos ombros e caiu no chão. Mariana ficou de pé apenas com um conjunto de renda preta, e a maneira como Ricardo a olhou — de cima a baixo, sem pressa, como se estivesse memorizando cada curva — a fez sentir mais desejada do que qualquer coisa que já tinha vivido.
— Você é incrível — disse ele, e a voz era tão séria, tão verdadeira, que pareceu mais íntimo do que qualquer toque.
Mariana não aguentou mais ser apenas receptora. Puxou a camisa dele pelas abas, os botões saltando um a um, e deixou as mãos percorrerem o peito largo, os pelos escuros sob os dedos, a firmeza dos músculos. Ricardo suspirou quando ela roçou as unhas pelos mamilos, e aquele som — masculino, incontrolado — deu a ela uma onda de poder que ardeu nas veias.
O Corpo Fala
Eles caíram na cama juntos, e a partir dali a linguagem ficou mais simples, mais primitiva. Boca, mãos, pele contra pele. Ricardo a cobriu com o corpo, e Mariana sentiu o peso dele — gostoso, real, presente. As pernas dela se abriram para recebê-lo, e ele se instalou no espaço entre as coxas, o calor da virilha dele pressionando contra a renda ainda úmida.
Os dedos de Ricardo desceram pela barriga dela, pelo osso do quadril, e encontraram o tecido fino da calcinha. Ele roçou a ponta do dedo sobre o tecido, sentindo a umidade que já se espalhava, e Mariana levantou os quadris em resposta involuntária.
— Tão molhada — ele sussurrou, quase para si mesmo.
Ele afastou a renda e o primeiro toque direto foi eletrizante. O dedo deslizou pela fenda, encontrou o clitório inchado e começou um movimento circular lento, deliberado. Mariana prendeu a respiração. As coxas tremeram. Ricardo percebeu e mudou o ritmo — mais rápido, mais firme — e ao mesmo tempo abaixou a cabeça para tomar um seio na boca. A língua quente no bico duro, o dedo trabalhando com precisão cirúrgica, e Mariana sentiu o orgasmo se construindo como uma parede de água subindo, subindo.
— Não para — pediu ela, a voz rasgada.
Ele não parou. Acrescentou um segundo dedo, entrando nela com um movimento que encontrou o ponto exato dentro do corpo, e Mariana se quebrou. O orgasmo a atravessou em ondas, os músculos internos se contraindo ao redor dos dedos dele, as pernas tremendo, um gemido longo escapando pela garganta. Ricardo continuou o movimento, estendendo cada contração até que ela implorasse para ele parar.
A Profundidade da Noite
Mariana precisou de um minuto para voltar. Quando abriu os olhos, Ricardo estava acima dela, a camisa totalmente aberta, a calça já no chão, apenas a cueca escura marcando a ereção evidente. Ela puxou o elástico para baixo e ele a ajudou a tirar, e então o viu inteiro — grosso, curvado levemente para cima, a glande lisa e brilhante.
Ela se sentou na cama e o tomou na mão. Ricardo bufou quando ela começou a mover a pele para cima e para baixo, devagar, apertando levemente na subida. A mão dela mal cobria a circunferência. Ela se deitou de novo e o puxou para cima, guiando-o para entre as pernas.
— Entra — disse ela, olhando nos olhos dele. — Sem camisinha? Ela tinha preparo, sabia que era segura.
Ricardo parou. — Tem certeza?
— Tenho. Exames em dia. Você?
— Em dia.
Ele se posicionou e empurrou devagar. A cabeça entrou primeiro, alargando a entrada, e Mariana soltou um suspiro longo e tremido. Ricardo avançou mais, centímetro a centímetro, e ela sentia cada milímetro daquele preenchimento — o alongamento, a pressão, a deliciosa sensação de estar completamente tomada. Quando ele finalmente encostou os quadris no dela, os dois ficaram imóveis por um instante, apenas respirando.
— Meu Deus, Mariana — gemeu ele, a voz estrangulada.
Ela enlaçou as pernas nas costas dele e moveu os quadris, um convite silencioso. Ricardo começou a se mover — primeiro devagar, quase saindo inteiro antes de entrar fundo de novo, cada golpe firme e profundo. O barulho era obsceno e perfeito: o som da carne batendo, a respiração ofegante, os gemidos que nenhum dos dois tentava esconder.
Mariana colocou as mãos na bunda dele e puxou, forçando-o a ir mais fundo. Ele entendeu e mudou o ângulo, inclinando-se para trás ligeiramente, e o novo alcance atingiu um lugar dentro dela que fez ver estrelas. Ela começou a se mover com ele, encontrando o ritmo, os quadris se encontrando no meio com uma força que fazia a cabeceira da cama bater na parede.
— Assim — disse ela entre dentes cerrados. — Não muda, não muda…
Ricardo aumentou a velocidade. Os golpes ficaram mais curtos, mais intensos, a respiração dele virando um rosnado baixo. Mariana sentiu o segundo orgasmo se aproximando, diferente do primeiro — mais denso, mais profundo, vindo de dentro como uma corda de violão sendo esticada até o limite.
— Vou gozar — avisou Ricardo, a voz completamente quebrada.
— Goza dentro — pediu Mariana, e aquelas palavras foram o estopim. Ricardo deu três golpes finais, profundos o máximo possível, e ela sentiu o membro pulsando dentro dela, o calor do esperma inundando as paredes internas. A sensação a levou junto — o segundo orgasmo a atingiu como uma explosão silenciosa, o corpo inteiro rígido, os olhos fechados, a mente em branco.
Amanhecer na Avenida
Depois, ficaram deitados lado a lado, os corpos ainda colados pelo suor. A janela mostrava Lisboa adormecida, as luzes amarelas dos postes refletindo nas fachadas de azulejo. A mão de Ricardo fazia círculos preguiçosos na barriga dela.
— A reunião de amanhã vai ser interessante — murmurou Mariana.
Ricardo riu baixo, o peito vibrando contra o braço dela. — Interessante é pouco.
Ela virou a cabeça para olhá-lo. No luar, os traços dele estavam mais suaves, menos corporativos, mais reais. Ela pensou em como aquele fim de semana poderia mudar tudo — a dinâmica no escritório, as reuniões por videochamada, os e-mails que antes eram estritamente profissionais. E decidiu que não importava.
— Acorda cedo — disse ela, fechando os olhos. — Quero café da manhã com vista para o Tejo.
Ricardo a puxou para mais perto, os lábios roçando o topo da cabeça dela.
— Acordo — disse ele. — Para isso, acordo.