A chuva começou logo depois do jantar, sem aviso, transformando a rua vazia em um rio de luzes refletidas. Mariana fechou as janelas da sala enquanto Ricardo recolhia as almofadas do varanda. Eram apenas amigos — ou pelo menos era isso que se diziam nos últimos dois anos, desde que se conheceram na faculdade. Mas naquela noite, com o apartamento pequeno, o barulho insistente da água e a luz apagada que deixava apenas o laranja das velas que ela acendera, qualquer fingimento parecia desnecessário.
O Pretexto da Tempestade
Ricardo voltou da varanda com os cabelos úmidos e a camisa de linho colada ao peito de um jeito que Mariana não conseguiu ignorar. Ele percebeu o olhar dela e sorriu, daquele sorriso torto que sempre a desarmava.
— Esqueceu de fechar a janela do quarto — ele disse, passando por ela com uma proximidade que não era exatamente casual.
— Eu sei — ela respondeu, sem se mover.
O silêncio que veio depois não foi desconfortável. Era o tipo de silêncio que pesa, que tem textura, que espera. Mariana sentiu o coração acelerar quando ele parou no corredor e se virou para olhá-la. A vela na mesa de centro projetava sombras no rosto dele, realçando a linha do maxilar, o brilho dos olhos escuros.
— Mariana — ele disse, com a voz mais baixa do que o normal.
— Não precisa falar nada — ela cortou, dando um passo na direção dele. — A menos que seja para dizer que também não aguenta mais fingir.
O som da chuva pareceu aumentar, como se a tempestade aprovasse a confissão. Ricardo caminhou de volta até ela, devagar, e quando parou a poucos centímetros, Mariana sentiu o calor do corpo dele mesmo com a umidade do ar.
— Há dois anos eu queria te ouvir dizer isso — ele murmurou.
Ela ergueu a mão e tocou o peito dele, sentindo os batimentos sob o linho molhado. Ricardo cobriu a mão dela com a sua, e então inclinou a cabeça e a beijou.
O Primeiro Toque
Não foi um beijo tímido. Foi o beijo de quem esperou tempo demais — firme, intencional, com a pressão dos lábios que já sabia exatamente o que queria. Mariana abriu a boca logo de início, e quando as línguas se encontraram, um gemido escapou da garganta dela, perdido no barulho da chuva.
As mãos de Ricardo foram para a cintura dela, puxando-a contra o corpo dele, e Mariana sentiu a evidência do desejo dele contra a barriga. Em vez de recuar, ela se pressionou mais, passando os braços pelo pescoço dele e entrelaçando os dedos nos cabelos molhados.
Quando a respiração de ambos ficou pesada demais para continuar o beijo, Ricardo afastou-se o suficiente para olhar para ela. Os olhos dele estavam escuros, quase pretos.
— Tem certeza? — ele perguntou, com a voz rouca.
— Se você parar agora, eu mato você — ela disse, e o sorriso que veio em resposta foi o mais bonito que ela já viu.
Ele a guiou pelo corredor até o quarto, onde a janela ainda estava aberta e a brisa molhada entrava junto com o ruído constante da chuva. Os lençóis estavam meio bagunçados porque ela tinha deitado ali antes do jantar. Ricardo fechou a porta com um empurrão e encostou-a na madeira, beijando-a de novo, agora com mais urgência.
As mãos dela foram para os botões da camisa dele. Destecê-los parecia demorar uma eternidade, mas quando o linho caiu no chão, Mariana parou um segundo para olhar. Ele era mais definido do que ela imaginava — ombros largos, peito com pelos escuros que desciam em linha reta até o abdômen.
— Sua vez — ele disse, puxando a alça do vestido dela.
A Chuva Como Trilha Sonora
O vestido caiu no chão e Mariana ficou apenas em calcinha e sutiã, sob a luz cinzenta que entrava pela janela. Ricardo a olhou de cima a baixo com uma expressão que misturava admiração e fome, e quando ele a puxou para perto, o contato da pele com a pele dele produziu um arrepio que percorreu toda a coluna dela.
Ele a deitou na cama e se inclinou sobre ela, beijando o pescoço, a clavícula, a ponta do ombro onde a alça do sutiã ainda repousava. Mariana arqueou as costas quando a boca dele encontrou o seio por cima do tecido, e ela puxou o sutiã para baixo com impaciência, expondo-se.
Ricardo não hesitou. A língua dele passeou ao redor do bico antes de sugar, e Mariana gemeu alto, com os dedos apertados nos ombros dele. A mão livre dele desceu pela lateral do corpo dela, acariciando a curva da cintura, do quadril, até chegar à barra da calcinha.
— Pode — ela sussurrou antes mesmo que ele perguntasse.
Os dedos dele deslizaram por dentro do tecido e encontraram-a molhada, quente, pronta. Mariana prendeu a respiração quando ele tocou o clitóris, e soltou um suspiro longo quando ele começou a movimentar os dedos em círculos lentos.
— Ricardo… — o nome saiu como um pedido que ela nem sabia que queria fazer.
Ele continuou o movimento por um tempo que pareceu infinito e curto demais ao mesmo tempo. Quando ela estava perto, ele parou. Mariana abriu os olhos, confusa, e viu ele sorrir enquanto tirava a calcinha dela de uma vez.
O Peso do Desejo
Ricardo se afastou o suficiente para tirar o resto das roupas, e Mariana aproveitou para olhar. Quando ele voltou para cima dela, ela sentiu o peso do corpo dele, o calor, a textura da pele, e por um instante tudo pareceu parar — a chuva, o tempo, o mundo fora daquela cama.
Ele se posicionou entre as pernas dela e olhou nos olhos de Mariana enquanto entrava devagar. Ela respirou fundo, sentindo a adaptação, a extensão, aquela plenitude que faz o pensamento desaparecer. Ricardo parou quando estava completamente dentro, com o rosto perto dela, a respiração quente na testa de Mariana.
— Tudo bem? — ele perguntou.
— Mexe — ela pediu, com a voz quebrada.
E ele obedeceu. Os primeiros movimentos foram lentos, profundos, com um ritmo que seguia o som da chuva lá fora — constante, envolvente, implacável. Mariana enroscou as pernas nas costas dele e acompanhou cada investida, encontrando o ângulo que a fazia ver estrelas.
Ele aumentou o ritmo aos poucos, e com cada aceleração, os sons que saíam de Mariana ficavam mais altos, mais verdadeiros. A cama rangeu. A chuva castigou a janela. Ricardo apoiou o peso nos antebraços e beijou-a outra vez, e ela mordeu o lábio dele quando o orgasmo começou a se formar — uma onda que vinha de dentro, se espalhando, crescendo.
— Vai — ele disse contra a boca dela, como se soubesse.
E ela foi. O prazer explodiu em ondas que fizeram o corpo inteiro tremer, e ela gemeu o nome dele sem vergonha, sem filtro, com os olhos fechados e as unhas cravadas nas costas dele. Ricardo continuou se movendo através do orgasmo dela, mais rápido agora, mais irregular, até que ele também chegou — com um gemido baixo e longo, enterrando o rosto no pescoço de Mariana enquanto o corpo dele se contraía.
Depois da Tempestade
Ficaram assim por um tempo que nenhum dos dois mediu. Ricardo ainda pesava sobre ela, e Mariana não queria que saísse. A chuva lá fora já estava mais fraca, caindo mansa agora, como se tivesse gasto toda a sua fúria.
Quando ele finalmente se moveu, deitou-se ao lado e a puxou para perto, com a cabeça dela no peito dele. Mariana ouviu os batimentos ainda acelerados e sorriu.
— Dois anos — ela disse baixinho.
— Dois anos perdidos — ele corrigiu, passando os dedos pelos cabelos dela.
Mariana ergueu a cabeça e o olhou. Tinha algo diferente no rosto dele agora — uma abertura que ela nunca tinha visto, como se a chuva tivesse lavado todas as camadas que os dois cuidavam de manter no lugar.
— Não foram perdidos — ela disse, beijando o peito dele. — Eram necessários. Pra gente chegar aqui do jeito certo.
Ricardo sorriu e a beijou no topo da cabeça. Lá fora, a chuva finalmente parou, e no silêncio que ficou, o único som era a respiração dos dois, lenta e sincronizada, como se estivessem praticando para todas as noites que ainda viriam.