Mariana não via aquela casa desde os vinte e poucos anos. Quando a chave girou na fechadura, o cheiro de madeira velha e salgadinha veio como um abraço. Era julho, a tarde despencava sobre a costa alentejana, e o ar era tão denso que parecia possível nadar nele. Ela tinha trinta e quatro anos, um divórcio recente nas costas e duas semanas de férias pela frente. Nada mais. Nada menos.
A Piscina e o Vizinho
Depois de despachar as malas no quarto de cima, Mariana vestiu um biquíni preto simples, pegou um livro e desceu até a piscina que dividia com a casa ao lado. A água estava morna — quase inútil contra o calor, mas refrescante o bastante para sentar na borda com as pernas dentro. Era ali que ela pretendia ficar até escurecer.
Não foi o que aconteceu. A porta da casa vizinha rangeu e apareceu um homem alto, cabelo escuro cortado curto, com um short de praia e uma garrafa de cerveja na mão. Ele parou ao vê-la, e os olhos dele se abriram ligeiramente.
— Mariana?
Ela piscou. O rosto era mais velho, mais marcado, mas a voz era a mesma.
— Rodrigo?
Ele sorriu — aquele sorriso torto que ela lembrava de verões anteriores, quando os dois tinham vinte anos e passavam as férias naquelas mesmas casas, com as mesmas famílias, trocando olhares que na época não tinham coragem de transformar em nada.
— Achei que a tua mãe tivesse vendido a casa — disse ele, sentando-se no degrau da piscina do lado dela, sem cerimônia.
— Quase. Mas resolveu guardar. E tu?
— Herdei a do meu avô no ano passado. Precisava de um sítio para escrever. Estou aqui desde junho.
Escrever. Rodrigo sempre dissera que ia escrever um livro. Mariana lembrou de tê-lo visto à noite, no terraço, com um caderno no colo, enquanto ela fingia ler na varanda e na verdade o observava pela fresta da persiana. Isso fazia catorze anos. O corpo dele agora era mais largo nos ombros, uma barba rala cobria o queixo, e os braços tinham marcas de sol que falavam de dias inteiros ao ar livre.
— Então somos vizinhos de novo — disse ela, tentando parecer casual.
— Parece que sim.
O silêncio que veio depois não foi incômodo. Era o tipo de silêncio que tem peso, que sabe de coisas que a boca ainda não disse.
Noite Sem Vento
Jantaram juntos. Ele trouxe vinho verde e um prato de camarão que tinha comprado no mercado da vila; ela contribuiu com pão, azeite e queijo. Sentaram-se na mesa de pedra do quintal dela, com uma vela acesa entre os dois, porque a luz elétrica parecia demais para aquela noite. Não havia vento. O calor não cedia. Mariana sentia o suor na nuca, na dobra dos cotovelos, entre os seios.
Conversaram sobre tudo e sobre nada. O divórcio dela saiu naturalmente — ela não escondeu, não teve porquê. Ele falou de um casamento curto aos vinte e sete, de uma filha de seis anos que estava com a mãe em Lisboa durante aquele mês. Falaram de trabalho, de livros, de como o Alentejo mudava pouco e muito ao mesmo tempo.
Em determinado momento, Mariana riu de algo que ele disse e, ao inclinar-se para frente, sentiu o joelho dele tocar o seu. Nenhum dos dois recuou. Ela olhou para o joelho encostado no dela e depois para os olhos de Rodrigo. Ele não sorriu desta vez. A expressão era séria, atenta, como se estivesse lendo algo escrito na pele dela.
— Tens a certeza de que queres abrir essa porta? — perguntou ele, baixo.
Mariana sentiu o estômago apertar. Não era uma ameaça, era um convite com saída livre. Ela gostou disso.
— Tenho — disse.
Ele levantou-se, estendeu a mão. Ela pegou. A palma dele estava quente e áspera. Ele a guiou pela piscina, pelo caminho de pedras soltas, até a porta da casa dele.
O Que o Calor Desperta
Dentro, a casa cheirava a livros abertos e café frio. Uma mesa de trabalho coberta de papéis ocupava o canto da sala. Mas Mariana não viu detalhes. Assim que a porta se fechou, Rodrigo virou-se para ela e colocou as duas mãos no rosto dela — devagar, como quem examina algo precioso. Os polegares passaram pelas maçãs do rosto, pela linha da mandíbula. Mariana fechou os olhos.
O primeiro beijo foi suave. Quase tímido, considerando os anos de silêncio entre eles. Os lábios dele eram macios, provavelmente de bálsamo, e sabiam a vinho verde e a sal. Ela correspondeu com a mesma calma, deixando a boca se adaptar, deixar que o corpo registrasse cada milímetro daquele contato.
Depois o segundo beijo veio diferente. Mais fundo. A língua dele tocou a dela e Mariana soltou um som que não planejou — um suspiro curto, quase um gemido, que pareceu encorajá-lo. As mãos dele desceram do rosto para o pescoço, para os ombros, e puxaram a alça do biquíni de um lado, deixando-a cair pelo braço. A mão de Rodrigo cobriu o seio dela por cima do tecido, apertando com firmeza, e Mariana arqueou as costas contra ele.
— Espero tanto tempo por isto — murmurou ele contra a boca dela.
Ela não respondeu com palavras. Pegou na barra do short dele e puxou para baixo. Ele ajudou, tirando tudo de uma vez, e quando ficou nu à luz da lua que entrava pela janela, Mariana viu que o corpo correspondia ao que a roupa sugeria — forte, proporcional, com uma ereção evidente que não tentava esconder.
Ela tirou o biquíni. Sem pressa, sem show. Apenas tirou e ficou ali, de pé, deixando que ele olhasse. E ele olhou. Devagar, de cima a baixo, como quem memoriza um quadro.
— És linda — disse ele, e soou verdadeiro porque não havia pressa na voz.
Rodrigo a guiou até o sofá velho que ficava perto da janela. Sentou-se primeiro e puxou-a para o colo, de frente para ele. Mariana sentiu a extensão dele pressionada contra a barriga e um arrepio percorreu a espinha. Ele beijou o pescoço dela, a clavícula, desceu até o seio e levou o mamilo à boca. Ela agarrou o cabelo dele e puxou, sem querer, enquanto um gemido mais longo escapava dos lábios.
Ele sugava com intensidade controlada, alternando entre os seios, usando a língua de forma deliberada, como se soubesse exatamente o que a estava a fazer sentir. E sabia. Mariana sentia a humidade entre as pernas aumentar a cada movimento, a cada respiração quente sobre a pele molhada.
— Rodrigo — sussurrou ela.
— Diz.
— Toca-me.
A Lua e o Mar
A mão dele desceu pela barriga, pelos quadris, e os dedos encontraram-na molhada. Ele passou o polegar pelo clitóris uma vez, duas vezes, e Mariana contraiu as coxas ao redor da mão dele. Rodrigo não parou. Introduziu um dedo devagar, sentindo a contração interna, e depois um segundo, movendo-os num ritmo que a fez jogar a cabeça para trás.
— Olha para mim — pediu ele.
Ela obedeceu. Os olhos dela encontraram os dele e o que viu ali — fome, ternura, atenção absoluta — foi quase demasiado. Ele continuou o movimento dos dedos enquanto a outra mão segurava a anca dela, firme, impedindo que se movesse demais. Mariana sentiu o orgasmo a construir como uma onda que se forma longe e cresce sem parar. Quando chegou, abriu a boca num silêncio que durou três segundos antes de se tornar um gemido aberto, incontrolável, que ele engoliu com a boca.
Antes que ela recuperasse completamente, Rodrigo a levantou, virou-a de costas para ele e sentou-a de novo no colo. Agora ela sentia a ereção entre as nádegas, deslizando na humidade que tinha deixado. Ele segurou-a pelos quadris e baixou-a lentamente. A penetração foi progressiva, centímetro a centímetro, e Mariana deixou sair um gemido longo e grave que parecia vir do fundo das costelas.
Quando ele estava totalmente dentro dela, parou. As duas mãos nos quadris dela, o rosto enterrado na nuca, a respiração quente e irregular contra a pele. Mariana contraiu os músculos internos ao redor dele e ouviu-o praguejar baixinho.
— Não faças isso se queres que dure — avisou ele com a voz rouca.
Ela fez de novo. De propósito.
Ele reagiu. Começou a mover-se, levantando e baixando-a pelos quadris, num ritmo que começou moderado e foi ganhando força. Cada vez que ele subia, a cabeça dele quase saía; cada vez que descia, o impacto era profundo e direto. Mariana apoiou as mãos nos joelhos dele e acompanhou o movimento, encontrando o ângulo que a fazia ver estrelas.
O som dos corpos era explícito — úmido, rítmico, misturado com a respiração ofegante de ambos. A casa estava silenciosa demais para esconder qualquer coisa. Mariana não se importava. Deixou os gemidos saírem livres, sem contenção, como se aquele verão tivesse aberto uma comporta que ela mantinha fechada há anos.
— Vou gozar — avisou ele, apertando os dedos nos quadris dela com força.
— Goza dentro de mim — disse Mariana sem pensar duas vezes.
Ele emitiu um som gutural, aumentou o ritmo por mais alguns segundos e depois enrijeceu todo, puxando-a para baixo com força enquanto o corpo tremia. Mariana sentiu as pulsações dentro dela, quentes e rhythmicas, e isso foi suficiente para empurrá-la para um segundo orgasmo — mais curto, mais agudo, que a fez contrair-se ao redor dele de forma involuntária.
Ficaram assim por um minuto. Talvez dois. O suor frio começava a secar na pele. O calor da noite entrava pela janela, mas agora parecia diferente — mais leve, mais suportável.
Rodrigo beijou-lhe o ombro.
— Ainda temos treze noites — disse ele.
Mariana sorriu, com os olhos fechados, sentindo-o ainda dentro dela.
— Então vamos aproveitar.