Quando Rafa mostrou a reserva do hotel em Sintra, Mariana sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com a bruma que cobria as montanhas naquela foto. Há três meses ela mencionou, de passagem, durante uma noite de vinho, que gostaria de ser surpreendida. Que gostaria de entregar o controle por uma noite inteira, sem saber o que viria a seguir. Rafa não comentou na hora. Apenas sorriu. E agora, sexta-feira ao final da tarde, eles estavam estacionando em frente a uma estalagem centenária escondida entre eucaliptos.
A Chegada
O quarto era maior do que ela esperava. Tetos altos com vigas de madeira aparente, uma cama king com lençóis brancos que pareciam feitos de nuvens, e uma janela ampla de onde se via o vale enevoado. Mariana deixou a mala no chão e caminhou até a janela, encostando a testa no vidro frio.
— Tira o casaco — disse Rafa, com uma calma que ela não conhecia.
Mariana se virou. Ele estava encostado na porta, observando-a com aquele olhar que sempre a desmontava por dentro. Ela obedeceu. Desabotoou o casaco de lã e deixou cair no banco estofado.
— Tudo — ele completou.
O pulso dela acelerou. Mariana tirou o vestido, a lingerie, as meias. Ficou nua diante da janela, com a luz cinzenta do entardecer lambendo sua pele. Rafa se aproximou devagar, passou os dedos pela lateral do pescoço dela, e sussurrou:
— A partir de agora, você não pergunta. Só faz.
Ela engoliu em seco e assentiu.
O Banho
Rafa a guiou pelo corredor até um banheiro compartilhado que parecia saído de outro século. Uma banheira de ferro fundo, pés de garra, água já correndo quente com óleo de lavanda que ele devia ter preparado antes. Velas aromáticas ocupavam cada superfície livre.
— Entra — ele disse, e dessa vez a voz dele tinha uma rugosidade nova.
Mariana mergulhou na água quente e sentiu os músculos desapertarem. Rafa ajoelhou-se ao lado da banheira, arregaçou as mangas da camisa, e começou a lavá-la com uma esponja natural. O toque era metódico, sem pressa. Passava pelos ombros, pelos braços, entre os seios, com uma atenção que a fazia sentir cada milímetro de pele como se fosse a primeira vez.
Quando a esponja desceu pela barriga e chegou entre as pernas, Mariana abriu as coxas por instinto. Rafa parou.
— Ainda não — ele disse, com um sorriso leve nos lábios. — Paciência.
Ela gemeu baixinho, uma mistura de frustração e excitação que já começava a queimar embaixo do estômago. Ele terminou o banho sem tocar onde ela mais queria, envolveu-a numa toalha grossa e a levou de volta ao quarto.
A Entrega
Sobre a cama, havia algo que não estava ali antes: uma venda de seda preta e quatro tiras de couro macio presas nas laterais da cama. Mariana parou no meio do quarto e sentiu as pernas ficarem molhadas de outra forma.
— Deita — disse Rafa.
Ela se deitou de costas. Ele colocou a venda com cuidado, ajustando para que não apertasse demais. A escuridão transformou tudo. Cada som ficou mais alto — o crepitar das velas, a respiração dele, o próprio coração dela batendo nos ouvidos. Quando as pulseiras de couro prenderam seus pulsos e tornozelos, Mariana testou a resistência. Estavam firmes, mas não desconfortáveis. Ela estava completamente aberta, completamente entregue.
O primeiro toque veio de surpresa. A ponta de uma pena, talvez, percorrendo a linha do clavícula até o mamilo. Mariana estremeceu e puxou as pulseiras. A pena desceu lentamente, contornando a curva da cintura, desenhando espirais na coxa interna.
— Por favor — ela sussurrou.
— Por favor, o quê? — a voz dele veio de algum lugar à esquerda. Ela não sabia onde exatamente.
— Toca em mim.
O silêncio durou o que pareceu uma eternidade. Depois, a boca dele encontrou a parte interna da coxa. Não beijou — lambeu. Uma faixa longa e úmida que subiu devagar, perigosamente perto, e depois desviou.
Mariana bufou, girando os quadris em vão.
— Você é cruel — ela disse, e havia um sorriso na voz.
— E você está adorando.
Ela não podia negar. A antecipação era quase melhor que o toque. Quase.
O Clímax da Noite
Quando a língua dele finalmente tocou onde ela precisava, Mariana soltou um gemido que ecoou pelas vigas do teto. Rafa não teve pressa. Lambeu com a precisão de quem estudou cada reação, cada respiração ofegante, cada puxão das pulseiras. Quando introduziu dois dedos lentamente, ela arqueou as costas inteira para cima da cama.
— Pode vir — ele disse contra ela, e a vibração das palavras foi quase o suficiente.
Mariana se deixou ir. O orgasmo subiu como a maré que cobria as praias lá embaixo, irresistível e completo. Ela gritou o nome dele, puxou as correias, e o prazer se espalhou como tinta na água quente do banho anterior.
Mas Rafa não parou. Enquanto as ondas ainda tremiam pelo corpo dela, ele subiu, posicionou-se entre suas pernas, e entrou com um gemido surdo que disse tudo sobre o quanto ele também estava no limite. Os primeiros movimentos foram lentos, profundos, quase torturantes. Mariana sentia cada centímetro, cada retirada e cada retorno.
— Tira a venda — ela pediu. — Quero ver você.
Rafa alcançou e puxou a seda dos olhos dela. A luz das velas fez tudo parecer dourado. O rosto dele estava contraído, os olhos escuros fixos nos dela, os cabelos caindo na testa. Ele acelerou o ritmo e Mariana acompanhou, enlaçando as pernas nas costas dele o mais que as tiras permitiam.
O segundo orgasmo veio junto com o dele. Ela sentiu quando ele endureceu ainda mais dentro dela, quando os golpes ficaram descompassados, quando ele enterrou o rosto no pescoço dela e soltou um som abafado que a fez chegar lá de novo, em ondas sobrepostas que a deixaram tremendo.
A Manhã Seguinte
Mariana acordou com a luz do sol entrando pela janela. As tiras haviam sido removidas. Rafa estava deitado de lado, a cabeça apoiada na mão, observando-a com um sorriso preguiçoso.
— Bom dia — ele disse.
Ela se esticou, sentindo cada músculo levemente dolorido da melhor forma possível.
— Que horas são?
— Nove. Café da cama daqui a pouco.
Mariana rolou para perto dele e encostou a testa no peito dele.
— E hoje? — ela perguntou.
Rafa passou os dedos pelos cabelos desarrumados dela.
— Hoje a gente visita o castelo. Almoça na vila. À noite… — ele fez uma pausa calculada. — Acho que a gente ainda tem uma fantasia na lista.
Mariana riu, um riso baixo e satisfeito que ela nem reconhecia como seu.
— Quanto tempo você ficou planejando isso?
— Três meses, duas semanas e quatro dias.
Ela levantou a cabeça e o olhou com genuína admiração.
— Então eu vou precisar pensar em algo bom para daqui a três meses.
Rafa a puxou para um beijo longo e lento, que prometia que o café poderia esperar mais alguns minutos.