Marisa chegou do trabalho encontrando a porta do escritório entreaberta. O brilho azulado da tela do notebook de Renato iluminava a parede escura, e ali estava — a página de administração do roteador, com campos preenchidos para filtragem de conteúdo. Ela sorriu, passando os dedos pelos cabelos castanhos. Bloquear sites pornô no roteador. Que ideia ingênua.
A Descoberta
Ela se aproximou devagar, os saltos tap-tap-tap no piso de madeira. Renato estava no chuveiro — ela ouvia a água correr lá em cima. Curiosa, Marisa sentou-se na cadeira de escritório e leu cada linha da configuração. Lista negra de domínios, controle parental ativado, horários de restrição. Ele havia gastado quase uma hora naquilo, julgando pelo histórico de abas.
Marisa não se sentiu ofendida. Sentiu-se fascinada. O marido de seis anos, aquele homem seguro e controlado, tinha ciúmes de pixels numa tela. Ela fechou a aba com um clique e abriu o navegador, digitando sem pressa um endereço que conhecia de memória — não um site pornográfico, mas seu próprio blog secreto de fantasias, onde escrevia contos eróticos sob pseudônimo desde antes de conhecê-lo.
A página carregou normalmente. O bloqueio era rudimentar, fácil de contornar. Ela fechou tudo e foi para o quarto, tirando a blusa enquanto caminhava pelo corredor.
A Confrontação Sedutora
Quando Renato saiu do banheiro com a toalha na cintura, encontrou Marisa deitada na cama de lingerie preta — um conjunto que ele não conhecia, com rendas finas e recortes estratégicos. O cabelo dela estava espalhado no travesseiro como uma auréola escura, e os olhos castanhos tinham um brilho que ele reconhecia bem.
— Posso perguntar uma coisa? — disse ela, voz macia como cetim.
— Claro.
— Por que você estava configurando o roteador quando eu cheguei?
Renato parou no meio do quarto. A toalha ficou um pouco mais frouxa. Ele engoliu em seco.
— Eu… achei que você tinha visto alguma coisa no histórico.
Marisa ergueu-se lentamente, apoiando-se nos cotovelos. O movimento fez os seios se aproximarem um do outro na renda transparente.
— Vi sim. Vi que você tentou bloquear uns sites.
— É que… — ele gaguejou — não gosto de pensar que você…
— Que eu o quê? — ela interrompeu, e agora havia uma nota divertida na voz. — Que eu vejo outros homens? Num monitor, Renato?
Ele não respondeu. Os ombros largos caíram um pouco, e Marisa viu algo que não esperava — vulnerabilidade. Aquele homem de um metro e oitenta e cinco, com barba feita e Abdômen definido, estava envergonhado.
O Jogo Começa
— Vem aqui — disse ela, batendo a mão no espaço vazio ao lado.
Renato obedeceu, sentando-se na borda da cama como uma criança pega em falta. Marisa colocou a mão na nuca dele, nos cabelos ainda úmidos, e puxou-o para um beijo lento. Quando se separaram, ela sussurrou contra os lábios dele:
— Sabe o que é engraçado? Você gastou uma hora tentando bloquear o mundo inteiro, e nem percebeu que a coisa mais excitante que existe está deitada na sua cama há seis anos.
A mão dela desceu pelo peito dele, sentindo os pelos curtos sob a palma, a pele quente e úmida do banho. A toalha caiu sozinha quando ele se virou para ela. Marisa não precisou olhar para baixo — conhecia cada centímetro daquele corpo — mas olhou mesmo assim, porque gostava do efeito que causava.
— Você quer saber o que eu realmente faço quando você não está? — ela perguntou, e a voz dela tinha baixado meio tom.
— Diz.
— Eu escrevo — ela disse, e a confissão saiu mais fácil do que imaginava. — Escrevo histórias. Histórias sobre nós. Sobre coisas que quero que a gente faça.
Os olhos de Renato se arregalaram. Marisa viu algo mudar neles — o ciúme dando lugar a curiosidade, e a curiosidade dando lugar a algo mais escuro, mais faminto.
— Me mostra.
As Palavras Viram Ato
Marisa pegou o celular na mesinha de cabeceira e abriu o aplicativo de anotações. Havia dezenas de textos salvos. Ela escolheu um e entregou a tela para ele, depois deitou-se de costas, olhando para o teto, o coração acelerado.
O silêncio durou um minuto inteiro. Ela ouvia apenas a respiração dele ficando mais pesada enquanto lia. Quando a mão de Renato tocou sua coxa — os dedos longos deslizando pela pele nua entre a renda e a meia — ela estremeceu.
— É isso que você quer? — a voz dele era áspera agora, diferente de qualquer coisa que ela já tivesse ouvido.
— É — ela respirou.
— Diz pra mim então. Em voz alta.
Marisa fechou os olhos. O texto que ele tinha lido descrevia exatamente esta posição — ela deitada, ele entre suas pernas, os dedos caminhando devagar pela parte interna das coxas, sem pressa, sem chegar onde ela mais precisava. Renato estava reproduzindo cada linha com precisão cirúrgica, e ela percebeu que ele tinha memorizado o texto.
— Os dedos — ela sussurrou — você sobe até a barra da renda e para.
Ele parou. A ponta dos dedos repousava exatamente onde o tecido encontrava a pele, e o calor que emanava dali era quase doloroso.
— E depois? — ele perguntou, e o hálito dele estava perto do seu ouvido agora.
— No texto, você fica assim por um tempo. Me deixando esperando.
— Sadista.
— Você que escreveu — ela brincou, e o riso virou um gemido quando a boca dele encontrou seu pescoço.
Além do Filtro
Renato tirou a lingerie dela com uma paciência que Marisa não sabia que ele tinha. Cada peça era removida como se fosse um presente sendo desembrulhado — o sutiã primeiro, revelando mamas com marrons escuros já endurecidos; depois o calcinha, descendo pelas coxas com a renda raspando suavemente a pele.
Quando ela ficou inteiramente nua, ele se afastou um pouco para olhar. Marisa sentiu o calor do olhar como se fossem mãos, percorrendo cada curva, cada cicatriz, cada detalhe que seis anos de intimidade não tinham tornado banal.
— Desliga a luz — ela pediu, por reflexo antigo.
— Não — ele disse, e a firmeza na voz fez um arrepio percorrer sua espinha. — Quero ver você. Todas as vezes que você olhou aquelas telas, deveria estar olhando pra mim.
Ele desceu pelo corpo dela como um homem que tinha encontrado uma missão. A boca quente passou pelos seios, pelo estômago, pelo umbigo. Marisa entrelaçou os dedos nos cabelos dele, e quando a língua dele finalmente tocou onde ela estava inflamada e molhada, ela arqueou as costas do colchão.
Renato não tinha pressa. Ele usava a boca e os dedos em combinações que sugeriam que talvez tivesse lido mais do que um texto — ou talvez aquele fosse simplesmente o efeito de um homem determinado a provar um ponto. Cada movimento era deliberado, cada pausa calculada para deixá-la à beira antes de recuar.
— Por favor — ela gemeu, e aquela palavra era toda que restava do seu vocabulário.
— Por favor o quê?
— Não para.
Ele não parou. Mas acelerou, e quando o orgasmo a atingiu, foi como uma onda que começou nos quadris e se espalhou por todo o corpo, deixando-a tremendo e ofegante sob a luz do abajur.
A Nova Senha
Marisa precisou de um minuto para recuperar o fôlego. Quando abriu os olhos, Renato estava acima dela, apoiado nos braços, com um sorriso que era metade orgulho, metade desejo insatisfeito. Ela sentiu a ereção dele pressionando contra sua coxa e puxou-o para baixo com as duas mãos.
— Entra — ela pediu, e não era um pedido.
Ele obedeceu com um gemido surdo, e a sensação de preenchimento a fez fechar os olhos de novo. Renato moveu-se devagar no começo, com um ritmo que era quase meditativo, o rosto enterrado no pescoço dela. Marisa envolveu as pernas ao redor da cintura dele e encontrou seu ritmo, subindo para encontrar cada impulso.
— Esquece o roteador — ela sussurrou — esquece os sites, esquece tudo.
— Tá esquecido — ele murmurou contra sua pele, e a voz dele estava rachada.
O segundo orgasmo veio junto com o dele — ela sentiu as contrações dele e se deixou carregar, os dois perdendo o controle ao mesmo tempo como se fossem um único corpo procurando o mesmo fim. Quando acabou, ficaram assim por um longo momento, ele pesado sobre ela, os dois suados e sem fôlego.
Depois, deitados lado a lado sob o lençol, Marisa passou a ponta dos dedos pelo peito dele.
— Amanhã a gente desconfigura aquilo — ela disse.
— Tá — ele concordou, com os olhos fechados e um sorriso preguiçoso.
— Mas guarda a senha — ela acrescentou. — A gente pode usar de outro jeito.
Renato abriu um olho.
— Que tipo de outro jeito?
Marisa pegou o celular de novo e abriu outra anotação. Sorriu.
— Tem um texto aqui que fala sobre amarração com gravata. Preciso de um voluntário para teste.
O riso dele encheu o quarto, e ali, naquele quarto quente com cheiro de sexo, o roteador e todos os seus filtros pareciam pertencer a outro universo.