maio 24, 2026

Depois do Expediente

Mariana fechou o laptop com um suspiro longo. O escritório estava vazio, a luz fluorescente zumbindo baixinho no teto como um inseto impaciente. Eram quase nove da noite — mais uma sexta de horas extras que sugou suas energias. Foi quando ouviu a batida na porta de vidro. Ricardo, do departamento de contabilidade, segurando duas garrafas de cerveja e um sorriso torto.

A Cerveja e o Silêncio

— Achei que fosse o único workaholic desse prédio — disse ele, entrando sem esperar convite formal. Mas os olhos dela não demonstravam recusa.

Mariana aceitou a garrafa fria. O condensamento molhou seus dedos e ela notou que Ricardo acompanhou o gesto — o modo como seus lábios envolveram o gargalo, a gota que escorreu pelo queixo. Coisas simples que, naquele contexto vazio de outras pessoas, ganhavam outro peso.

Havia meses eles trocavam olhares no corredor. Comentários que duravam três segundos a mais do que o necessário. Uma mão que tocava a outra ao pegar documentos na impressora. Nada que se pudesse nomear. Mas ali, sozinhos, o ar parecia carregado de tudo que nunca tinham dito.

— Senta — ela indicou a cadeira ao lado, afastando relatórios da mesa.

Ricardo sentou, mas não como um colega de trabalho. Sentou de frente para ela, joelhos quase encostando nos dela, e aquele pequeno espaço que restou entre seus corpos vibrava como um fio esticado.

A Primeira Vez Que Tocou

Foi ela quem quebrou primeiro. Mariana colocou a cerveja na mesa e, em vez de recuar, avançou. Seus dedos encontraram a gravata dele — um laço frouxo de quem já tinha relaxado horas atrás — e puxou com delicadeza.

— Isso aqui não serve mais pra nada, não é?

Ricardo não respondeu com palavras. Sua mão subiu pelo braço dela, lenta, sentindo a tecido da blusa de seda, até alcançar a nuca. Os dedos se entrelaçaram nos cabelos escuros e ele a puxou para perto. O primeiro beijo foi cuidadoso, exploratório — como se ambos ainda buscassem confirmação de que aquilo era real e desejado.

Quando Mariana abriu os lábios, a cautela desapareceu. A língua dele encontrou a dela com uma fome que surpreendeu os dois. Ela gemeu baixinho, e o som ecoou no escritório vazio como uma confissão.

As mãos dele desceram pelas costas dela, achando o fecho da blusa. Mariana recuou o suficiente para olhá-lo nos olhos — uma verificação silenciosa, um pedido de permissão que ele respondeu com um aceno mínimo e um sorriso.

A Mesa dos Relatórios

A blusa caiu. Ricardo mirou o sutiã preto de renda como quem aprecia uma obra de arte antes de tocá-la. Suas mãos cobriram os seios por cima do tecido, polegares traçando círculos lentos sobre os mamilos que endureciam sob o toque. Mariana arqueou as costas, respiração mais pesada.

— Tira — sussurrou ela.

Ele obedeceu. O sutiã joining a blusa no chão. Quando a boca dele fechou-se ao redor de um dos seios, Mariana agarrou seus cabelos, puxando-o mais para perto. A língua quente desenhava padrões enquanto a outra mão apertava e massageava com firmeza. Ela se molhava e sabia que a saia justa não escondia nada daquela resposta.

Ricardo a ergueu sem aviso e sentou-a sobre a mesa. Papéis voaram. Ela não ligou. Suas pernas envolveram a cintura dele, puxando-o para entre suas coxas, e sentiu a evidência do desejo dele pressionando contra ela através da calça.

— Aqui? — ele perguntou, a voz rouca.

— Aqui. Agora.

Sem Pressa, Com Fome

Mesmo com a urgência palpável, Ricardo não se apressou. Suas mãos subiram pelas coxas de Mariana, empurrando a saia até a cintura. Ele beijou a parte interna de cada joelho, depois subiu mordiscando a pele macia, deixando um rastro de calor e umidade. Mariana jogou a cabeça para trás, os cotovelos apoiados na mesa cheia de papéis amassados.

Quando ele alcançou a barra da calcinha, parou. Seus olhos subiram para encontrar os dela — cheios de pergunta e desejo. Mariana ergueu os quadris em resposta, e ele puxou o tecido devagar, como se estivesse desenrolando um presente.

O primeiro toque da língua dela a fez gemer alto. Ricardo usou os lábios e a língua com uma paciência deliberada, explorando cada dobra, cada reação. Quando encontrou o clitóris, Mariana travou a respiração. Ele percebeu e se concentrou ali — movimentos circulares, pressão alternada, a ponta da língua fazendo o que os dedos complementavam.

— Ricardo, porra… — o nome saiu arrastado, quase um supplico.

Ela veio com as coxas apertando a cabeça dele, o corpo todo tremendo, a mão cobrindo a própria boca para não gritar no escritório silencioso. Ricardo continuou até as contrações cessarem, só então subindo pelo corpo dela com beijos espalhados pelo abdômen, pelos seios, pelo pescoço.

O Momento Que Antecipavam

Mariana, ainda ofegante, puxou a camisa dele para cima. Ele a tirou em um movimento rápido, revelando um torso magro mas definido, com pelos esparsos no peito que ela passou a palma para sentir. Suas unhas riscaram levemente a pele e ele inspirou fundo.

Ela abriu o cinto, o botão, o zíper. Quando a mão envolveu a ereção dele por dentro da cueca, Ricardo fechou os olhos e deixou escapar um som baixo vindo do fundo da garganta. Mariana acariciou com firmeza, sentindo o peso e a temperatura, a veia pulsando contra sua palma.

— Camisinha — ele disse, puxando a carteira do bolso traseiro.

Ela observou ele vestir a proteção com uma mistura de apreciação e impaciência. Quando ele se posicionou entre as pernas dela novamente, Mariana o puxou pelo pescoço e beijou-o com intensidade — sabendo-se naquele gosto, naquele cheiro de desejo.

A entrada foi lenta. Ricardo avançou centímetro por centímetro, permitindo que ela se acomodasse, e Mariana sentia cada detalhe — a espessura, o stretch, a plenitude de finalmente ter ele dentro de si. Quando ele estava completamente embutido, pararam. Apenas respirando. Olhando um para o outro no escritório escuro, iluminado apenas pela luz da rua que entrava pela janela.

Ritmo

O primeiro movimento foi dele — um recuo longo seguido de um thrust profundo que fez Mariana emitir um gemido estrangulado. Ricardo estabeleceu um ritmo que começou moderado, controlado, cada golpe atingindo o fundo com precisão.

Mariana colocou as mãos nos ombros dele e acompanhou o movimento, encontrando o ângulo que a fazia ver estrelas. Quando ele acelerou, ela agarrou a borda da mesa. Os papéis continuavam a cair no chão a cada investida, e o som da carne batendo contra carne se misturava aos suspiros e gemidos que já não tentavam conter.

— Vira — ele disse, puxando-a para ficar de costas.

Mariana obedeceu, apoiando as mãos na mesa, coluna arqueada. A nova posição permitiu que ele fosse mais fundo, e ela soltou um palavrão que o fez rir baixo — um riso que se perdeu no próximo golpe. Uma mão dele segurou o quadril dela enquanto a outra subiu pela coluna, cravando os dedos na nuca, controlando o ritmo com possessividade delicada.

Ela sentia o segundo orgasmo se construindo como uma onda que ganhava volume. Ricardo percebia pelos contrações internos, pela forma como as pernas dela tremiam.

— Junto — ele sussurrou, a voz partida.

Mariana alcançou uma mão para trás e tocou o rosto dele. Esse gesto simples, íntimo, foi o que desfez os dois. Ela veio primeiro, o corpo se contorcendo, e ele a seguiu segundos depois, enterrando o rosto no ombro dela enquanto o prazer percorria sua espinha em ondas.

Depois

Ficaram assim por um tempo — ele ainda dentro dela, os corpos colados, a respiração voltando ao normal aos poucos. A luz fluorescente continuava zumbindo. A cidade lá fora continuava movendo.

Ricardo recuou com cuidado e dispôs da camisinha. Mariana desceu da mesa com as pernas ainda um pouco trêmulas e começou a se vestir em silêncio. Não era um silêncio estranho — era o silêncio de quem não precisa falar para saber que aquilo foi bom e que não foi único por acaso.

— Sábado livre? — ela perguntou, penteando os cabelos com os dedos.

Ricardo arrumou a gravata de forma decorativa, sem apertar. O sorriso voltou, daquele tipo que promete.

— Agora tenho, sim.

Mariana guardou o laptop na bolsa e desligou a luz ao sair. No elevador, ele a beijou novamente — um beijo lento, sem pressa, que dizia que o expediente tinha acabado há muito tempo, mas a noite estava apenas começando.