setembro 21, 2026

O Jantar que a Gente Merecia: guia prático e completo

Mariana acendeu a vela sobre a mesa de jantar exatamente às vinte horas. O apartamento cheirava a alecrim e alho — o risoto estava no ponto, o vinho tinto já respirava na taça. Três meses. Cento e noventa dias em que Rodrigo esteve em São Paulo coordenando a abertura da nova filial, enquanto ela ficava no Porto mantendo tudo funcionando. Mensagens de texto, chamadas tardias com a voz embargada de cansaço, vídeos que nunca substituíam o toque. Hoje, ele tinha voltado para ficar.

A Porta se Abre

A chave girou na fechadura e o coração de Mariana deu um salto que ela não sentia desde o primeiro beijo, dois anos atrás. Ele entrou com a mala ainda na mão, o cabelo mais comprido do que ela lembrava, barba por fazer, olhos cansados de aeroporto — mas o sorriso, aquele sorriso torto que só ela conhecia, era igual.

— Tô em casa — disse ele, deixando a mala cair no chão.

Ela não respondeu com palavras. Atravessou a sala em três passos e se jogou nos braços dele. Rodrigo largou a jaqueta, envolveu a cintura dela com firmeza e enterrou o rosto no pescoço de Mariana. Cheirou a pele, a shampoo, a casa. Cheirou a tudo que tinha sentido falta.

— Deus, como eu te quis — murmurou ele contra a orelha dela, e só aquelas palavras já fizeram Mariana sentir um calor espalhar-se pela barriga.

— Eu sei — ela sussurrou de volta, passando os dedos pela nuca dele. — Eu também.

Rodrigo se afastou o suficiente para olhá-la. O vestido preto justo, os ombros nus, o cabelo solto. Devorou-a com os olhos de um jeito que não tinha pressa — como quem sabe que finalmente tem tempo.

— Isso é pra mim?

— Isso é pra gente jantar. O resto é consequência.

O Risoto e o Vinho

Ela o puxou para a mesa. Duas taças, dois pratos, a vela tremulando entre eles. Rodrigo serviu o vinho enquanto Mariana distribuía o risoto. Sentaram-se um de frente para o outro, e por um momento nenhum dos dois falou — só se olharam, como se precisassem confirmar que era real.

— Tá bom, Mar — ele disse depois do primeiro gole. — Tá muito bom. Mas eu preciso te dizer que a fome que eu tenho não é exatamente essa.

Ela sorriu, passando o garfo pelos lábios de propósito.

— Come. Depois a gente resolve a outra fome.

Mas foi impossível manter a compostura por muito tempo. A cada garfada, os olhos de Rodrigo percorriam o colo dela, a linha do decote, o modo como ela cruzava as pernas sob a mesa. E Mariana retribuía: observava os lábios dele no copo, a veia do pescoço, o modo como a camisa branca abria um pouco no peito.

— Tres meses — disse ela, baixinho.

— Três meses — ele repetiu, deixando o garfo sobre o prato.

— Sabe o que eu fazia quando você me ligava de madrugada?

Rodrigo inclinou-se para frente.

— Me conta.

— Deitava na nossa cama, fechava os olhos e fingia que sua mão estava onde a minha estava.

O silêncio que se seguiu não foi vazio. Foi denso, elétrico, cheio de promessa. Rodrigo pigarreou, passou a língua pelos lábios.

— Tá certo. Eu não consigo mais comer.

A Mesa Pode Esperar

Rodrigo levantou-se e contornou a mesa num passo longo. Mariana não recua — abraçou-o pela cintura quando ele se aproximou, puxando-o para entre suas pernas. Ele curvou-se e beijou-a. Não foi um beijo educado de reencontro. Foi aquele beijo que dizia eu passei noventa dias pensando exatamente nisso. Língua, pressão, dentes roçando o lábio inferior dela até Mariana gemer contra a boca dele.

As mãos de Rodrigo desceram pelos braços dela, acharam os ombros nus, deslizaram pelo tecido do vestido até a cintura. Apertou. Mariana sentiu a excitação dele contra a coxa e arqueou as costas no banco.

— Leva-me pra cama — pediu ela entre beijos.

— Ainda não — ele disse, afastando-se um centímetro. — Aqui. Agora. Preciso de você agora.

Mariana não discutiu. Levantou-se, e Rodrigo a empurrou de leve contra a parede da sala. As costas dela encostaram no reboco frio enquanto as mãos quentes dele subiam pelas coxas, puxando o vestido para cima. Os dedos encontraram a renda da calcinha, e ele roçou o polegar sobre o tecido com uma pressão lenta e deliberada.

— Rodrigo — ofegou ela, jogando a cabeça para trás.

— Shh. Deixa eu te lembrar do que você sentiu falta.

Ele afundou o joelho entre as pernas dela e desceu beijos pelo pescoço, pela clavícula, pelo colo. Uma mão segurava o quadril de Mariana contra a parede; a outra puxou a renda para o lado e os dedos finally encontraram o calor molhado que esperava por ele. Mariana prendeu a respiração quando ele deslizou um dedo lentamente, abrindo-a, sentindo quanto ela já estava pronta.

— Tão molhada — murmurou ele contra a pele do peito dela. — Por causa de um beijo.

— Por causa de você. Sempre por sua causa.

Três Meses em Uma Noite

Rodrigo tirou o cinto com um clique metálico que ecoou na sala silenciosa. Mariana aproveitou a pausa para puxar a camisa dele para fora da calça, desabotoar os primeiros botões, tocar o peito quente e peludo que conhecia de memória. Ele deslizou a camisa pelos ombros e a jogou no chão enquanto Mariana abria o botão da calça, empurrando-a para baixo junto com a cueca.

Quando ele a ergueu pelas coxas e ela envolveu a cintura dele com as pernas, Mariana sentiu a espessura dele roçando entre suas pernas, sem entrar ainda, só pressionando, só prometendo. Ela gemou alto — um som que não se preocupou em disfarçar. Não havia vizinhos a considerar, não havia horário de trabalho pela manhã. Só os dois.

— Me entra — pediu ela no ouvido dele.

Rodrigo segurou-a firme e empurrou. Uma vez. Devagar. Até o fim. Mariana abriu a boca num suspiro longo, sentindo cada centímetro preencher o vazio que três meses tinham cavado. Ele ficou parado assim, enterrado nela, a respiração ofegante contra o pescoço de Mariana.

— Não me conta que sentiu falta — disse ele com a voz rouca.

— Nunca.

Então ele começou a se mover. Lento no início, como quem saboreia um prato que demorou demais para chegar à mesa. Cada estocada era profunda, deliberada, acompanhada do som molhado que os dois adotavam como trilha sonora particular. Mariana prendia as costas na parede, as unhas cravadas nos ombros dele, os olhos fechados enquanto o prazer se construía em camadas.

— Mais — sussurrou ela. — Mais rápido.

Rodrigo obedeceu. O ritmo acelerou, os quadris bateram contra ela com uma urgência que crescia a cada segundo. O vestido preto estava todo amassado na cintura, a calcinha puxada de lado, os sapatos ainda nos pés de Mariana — nada fazia sentido e tudo fazia sentido. Ele a beijava entre estocadas, mordiscava o lábio inferior, puxava o cabelo dela com firmeza suficiente para virar a cabeça e acessar o pescoço.

— Tá perto? — perguntou ele.

— Tão perto — ofegou Mariana, sentindo a onda subindo.

Rodrigo ajustou o ângulo, empurrou mais fundo, e Mariana quebrou. O orgasmo a atravessou em ondas, fazendo-a tremer inteira, presa entre a parede e o corpo dele. Rodrigo continuou por mais alguns movimentos — irregulares, descompassados — até que também veio, enterrado até a base, com um gemido abafado contra o ombro dela.

Sobremesa

Ficaram assim por um tempo. Ele ainda a segurava, as pernas de Mariana ainda envolviam a cintura dele, os dois ofegando no escuro da sala iluminada apenas pela vela da mesa de jantar. O risoto esfriara. O vinho estava quase no fim. Ninguém ligava.

Rodrigo a deixou descer devagar, beijando-a uma última vez com uma doçura que contrastava com o que tinham acabado de fazer. Mariana arrumou o vestido com as mãos trêmulas enquanto ele puxava a calça para cima.

— Senta — disse ela, puxando-o de volta para a mesa.

Rodrigo obedeceu, rindo baixo. Mariana serviu mais vinho nas taças e sentou-se no colo dele, de costas, encostando a cabeça no ombro de Rodrigo. Ele envolveu a cintura dela com um braço e segurou a taça com o outro.

— O risoto esfriou — observou ele.

— A gente esquenta no micro-ondas. Ou come frio. Não me importa.

Rodrigo beijou o topo da cabeça dela.

— Tão feliz por ter voltado?

Mariana pegou a mão dele e a colocou sobre o peito, onde o coração ainda batia acelerado.

— Senta aqui e sente. Acha que é só felicidade?

Ele riu — uma risada verdadeira, daquelas que ela ouvia poucas vezes — e apertou-a contra si.

— Bom — disse Rodrigo. — Porque eu também volto por isso. Pelo risoto, pelo vinho, pela vela. Mas principalmente por essa fome que só você mata.

Mariana sorriu, tomou um gole da taça que ele segurava e deixou o resto da noite se desenrolar sem pressa. O risoto poderia esperar. Tudo podia esperar — desde que fosse com ele.