A chuva caía sem piedade sobre Lisboa quando Mariana encontrou o olhar de Rafael pelo reflexo do vidro embaçado do bar. Havia meses que o desejo se acumulava entre eles — olhares demorados, toques aparentemente casuais que deixavam a pele elétrica. Naquela noite, nenhuma desculpa restava. Ele se aproximou, sussurrou algo sobre sua casa estar mais perto, e ela apenas assentiu, sabendo exatamente o que aquilo significava.
O Caminho
Andaram sob o mesmo guarda-chuva, os corpos colados pela necessidade de caberem na proteção estreita contra a tempestade. O braço de Rafael envolvia seus ombros, e a mão dele repousava com firmeza deliberada na lateral do seu seio. Mariana não se afastou. Pelo contrário, deixou seu quadril deslizar contra o dele a cada passo, sentindo a resposta imediata de seu corpo através do tecido fino da calça.
— Não consigo pensar em outra coisa há semanas — ele murmurou perto do ouvido dela, a respiração quente contrariando o frio da noite.
— Eu sei — ela respondeu, a voz rouca. — Eu também não.
A confissão abriu algo entre eles, uma válvula de pressão que vinha sendo apertada desde o primeiro jantar em grupo. Quando chegaram à porta do apartamento dele, as mãos tremiam levemente enquanto ele procurava a chave. Mariana colocou a mão sobre a dele, forçando-o a parar.
— Tem certeza? — ela perguntou, olhando-o nos olhos.
— Absoluta.
Ela sorriu e retirou a mão, deixando-o abrir a porta.
A Primeira Porta
O apartamento era escuro, iluminado apenas pelos faróis dos carros que passavam na rua abaixo, projetando sombras dançantes pelas paredes. Rafael nem ligou a luz. Fechou a porta e imediatamente prendeu Mariana contra ela, as duas mãos em seus ombros, o corpo pressionando o dela com uma intenção que não deixava margem para interpretações.
Ela sentiu a temperatura subir onde seus corpos se tocavam — o peito largo dele contra seus seios, a coxa dura entre as pernas dela. Mariana ergueu as mãos e enfiou os dedos nos cabelos escuros de Rafael, puxando-o para baixo até que seus lábios se encontrassem.
O beijo não foi doce. Foi faminto. As línguas se encontraram com urgência, como se cada um tentasse devorar o outro. Ele mordeu o lábio inferior dela com delicadeza suficiente para provocar, não para machucar, e Mariana soltou um gemido que ele engoliu com a boca.
As mãos de Rafael desceram pelos braços dela até a cintura, puxando a blusa de seda para fora da barra da calça. Quando os dedos dele tocaram a pele nua da lombar de Mariana, ela arqueou as costas, pressinando-se ainda mais contra ele.
— Deus, Rafael…
— Diz o que você quer — ele pediu contra a boca dela, os lábios roçando a cada palavra. — Quero ouvir você dizer.
Peles
Mariana afastou-se o suficiente para olhá-lo. O calor nos olhos escuros dele era quase intimidador, mas ela nunca se sentiu tão segura em uma situação de vulnerabilidade. Suas mãos foram até os botões da camisa dele, abrindo um por um com calma deliberada, contrariando a pressa de tudo o que acontecera até então.
Quando a camisa caiu no chão, ela parou para observar. O peito dele era coberto por uma leve pilosidade escura, os músculos definidos pela luz suave que entrava pela janela. Ela passou as pontas dos dedos pelo estômago dele, sentindo os abdominais se contraírem sob o toque.
— Sua vez — ele disse, puxando a blusa dela pelo viés.
Ela ergueu os braços e o tecido deslizou para longe. O sutiã era de renda preta, simples mas elegante, e Rafael cursou baixo ao vê-lo. Ele não o tirou imediatamente. Em vez disso, curvou-se e depositou um beijo no decote, depois outro na borda superior do seio esquerdo, onde a pele macia encontrava a renda.
Mariana respirou fundo, as mãos apoiadas nos ombros dele para não perder o equilíbrio. Quando finalmente ele desabotoou o sutiã por trás e o deixou cair, a boca dele encontrou um seio, a língua desenhando círculos ao redor do mamilo antes de sugá-lo com a pressão exata que a fazia dobrar os joelhos.
— A cama — ela sussurrou. — Agora.
O Quintal do Desejo
Rafael a guiou pelo corredor escuro até o quarto, onde a luz de um abajur dourado criava uma atmosfera quase irreal. Ele a deitou na cama de lençóis brancos e se afastou o suficiente para tirar o cinto, a calça, a bermuda. Mariana aproveitou o momento para se livrar da saia e da calcinha, e quando ele se virou, encontrou-a completamente nua, apoiada nos cotovelos, observando-o com uma expressão que misturava admiração e fome.
Ele se deitou sobre ela, mas não a penetrou. Em vez disso, começou um percurso com a boca — pelo pescoço, pela clavícula, entre os seios, pelo estômago plano. Mariana entrelaçou os dedos nos cabelos dele, guiando sem pressa, sentindo cada centímetro de pele ser explorado.
Quando ele chegou à altura do quadril, ela abriu as pernas sem que ele precisasse pedir. Rafael colocou um beijo no osso do quadril, depois no interior da coxa, subindo lentamente. A expectativa era quase insuportável, e quando a boca dele finalmente a encontrou, Mariana soltou um gemido alto que ecoou pelo quarto.
A língua dele era paciente e precisa. Ele sabia exatamente onde tocar, quando pressionar, quando afastar-se para deixar a sensação diminuir antes de reconstruí-la. As pernas de Mariana tremeram dos dois lados da cabeça dele, e suas mãos puxaram os lençóis enquanto a onda de prazer se construía, camada por camada.
— Rafael, eu vou… — ela conseguiu dizer entre respirações cortadas.
Ele não parou. Apenas intensificou, e quando o orgasmo a atingiu, foi como uma onda que a arrastou inteira — o corpo rígido, a visão embaçada, o nome dele nos lábios repetido como uma oração.
A Entrega
Antes que ela recuperasse completamente o fôlego, Rafael subiu pelo corpo dela, beijando-a com os lábios úmidos, deixando-a provar-se. Mariana envolveu as pernas ao redor do quadril dele e sentiu sua ereção pressionada contra sua entrada, ainda sensível.
— Quer esperar um pouco? — ele perguntou, a voz carregada de desejo contido.
— Não. Quero você agora.
Rafael alcançou a gaveta do criado-mudo, tirou um pacote de preservativo e abriu com uma praticidade que não quebrou o momento. Quando ele se posicionou novamente, Mariana guio-o com a mão, e ele entrou lentamente, polegada por polegada, os olhos fixos nos dela, lendo cada reação.
O estalo inicial deu lugar a uma sensação de plenitude que fez Mariana fechar os olhos e suspirar. Rafael ficou imóvel por alguns segundos, deixando-a se ajustar, e então começou a se mover — primeiro com empurrões longos e lentos, depois mais profundos, mais rápidos, respondendo aos sons que ela emitia.
Ela ergueu o quadril para encontrá-lo a cada thrust, os ângulos se ajustando até que ele atingisse o ponto que a fez ver estrelas. As mãos dele estavam ao lado da cabeça dela, os braços retesos, e ela passava as unhas pelas costas dele, deixando marcas que nenhum dos dois se importaria de ver no dia seguinte.
— Você é incrível — ele disse entre dentes cerrados, o ritmo acelerando.
Mariana não conseguiu responder com palavras. Apenas o puxou para um beijo desesperado enquanto sentia o segundo orgasmo se aproximando, mais intenso que o primeiro. Quando ele a atingiu, ela mordeu o ombro de Rafael para abafar o grito, o corpo tremendo sob o dele.
Rafael a seguiu poucos thrusts depois, com um gemido gutural, o corpo inteiro tenso antes de relaxar sobre o dela, o peso perfeito e acolhedor.
Depois
Ficaram em silêncio por longos minutos, o único som sendo a chuva que continuava lá fora e a respiração que gradualmente voltava ao normal. Rafael rolou para o lado, mas manteve uma mão sobre o estômago de Mariana, traçando círculos preguiçosos com os dedos.
Ela se virou para encará-lo. No luz dourada do abajur, os traços dele estavam suaves, sem a urgência de antes. Ela passou a ponta dos dedos pelo contorno da mandíbula dele.
— Há quanto tempo? — ela perguntou em voz baixa.
— Desde aquele jantar em que você riu da minha piada ruim sobre vinho — ele admitiu, um meio sorriso nos lábios. — E você?
— Desde antes disso. Desde a primeira vez que nos vimos na reunião da editora.
Rafael riu baixo, um som quente que ela sentiu no peito.
— Então perdemos meses por orgulho bobo.
— Talvez — ela concordou, achegando-se a ele. — Mas temos a noite inteira para compensar.
Ele a puxou para um beijo macio, sem pressa, e a chuva continuou caindo sobre Lisboa, indiferente ao universo inteiro que se havia criado dentro daquele quarto.