Mariana ouviu a chuva batendo na janela do apartamento enquanto o vinho tinto descansava na taça. Há três semanas havia terminado um relacionamento de dois anos, e a casa ainda guardava o eco da ausência dele. Ela clicou aleatoriamente na playlist do Spotify e deixou o algoritmo decidir seu humor. Quando os primeiros acordes de “Sadness” do Porno for Pyros preencheram a sala, ela fechou os olhos e se deixou afundar no sofá. A batida hipnótica, a guitarra que parecia chorar, a voz que flertava com a dor — era exatamente a trilha sonora daquela noite. Até que a campainha tocou.
O Visitante Inesperado
Mariana não costumava atender a porta depois das dez da noite sem antes olhar pelo olho mágico. Quando viu a silhueta de Ricardo — seu amigo de infância que havia retornado de Lisboa há poucos meses —, sentiu um aperto no peito que não sabia se era alívio ou algo mais complicado.
— Trouxe vinho português — ele disse, erguendo a garrafa como quem apresenta uma desculpa. — Vi a luz acesa e lembrei que você mora aqui. Posso?
Ela abriu a porta sem pensar duas vezes. Ricardo era daquelas pessoas que faziam qualquer ambiente parecer mais quente. Cabelo escuro meio comprido, barba aparada de propósito casual, camisa de linho branca com as mangas arregaçadas. Ele entrou e imediatamente reconheceu a música que tocava.
— Porno for Pyros? Sério, Mariana? — ele sorriu, colocando a garrafa na mesa de centro. — Isso é trilha de filme dos anos noventa.
— É trilha da minha noite — ela respondeu, voltando para o sofá e puxando as pernas para baixo. — Senta. O vinho que eu já abri está melhor do que parece.
Ricardo se sentou na ponta do sofá, a uma distância respeitosa, mas Mariana percebeu o modo como ele a olhava — não com pena, não com condescendência, mas com uma atenção que fazia sua pele esquentar sob o moletom oversized que usava.
A Melodia Quebra o Gelo
A conversa fluiu como sempre fluiu entre eles: sem esforço, sem silêncios constrangedores. Eles falaram da viagem dele, do trabalho dela, da cidade que mudava mais rápido que eles conseguiam acompanhar. Mas quando “Sadness” repetiu na playlist, o clima mudou sutilmente, como se a música tivesse permissão para derrubar as barreiras que a luz do dia mantinha erguidas.
— Você está triste — ele disse, não como pergunta.
— Estou ouvindo Porno for Pyros à noite sozinha com vinho. Claro que estou triste — ela riu, mas o riso saiu mais frágil do que gostaria.
Ricardo se virou para ela no sofá, flexionando uma perna sobre o estofado. O movimento fez com que a distância entre eles diminuísse consideravelmente. Mariana podia sentir o calor do corpo dele, o perfume amadeirado que misturava com o aroma do vinho.
— Sabe o que eu acho? — a voz dele baixou meia oitava. — Acho que a tristeza não precisa ser o fim da noite. Pode ser o começo de outra coisa.
O olhar dele desceu dos olhos dela para a boca, depois para a garganta onde o moletom escorregava levemente. Mariana sentiu o estômago dar um salto. Sabia que aquele momento era uma encruzilhada, e que qualquer coisa que acontecesse depois seria uma escolha deliberada.
— Ricardo — ela começou.
— Se você quiser que eu vá, eu vou — ele interrompeu, com uma serenidade que não escondia o desejo. — Mas se você quiser que eu fique, eu fico. Sem pressão, sem promessas. Apenas esta noite.
A guitarra de “Sadness” continuava seu lamento hipnótico. Mariana olhou para a chuva na janela, depois de volta para o rosto dele. E então fez a escolha mais honesta que fizera em semanas.
— Fica — ela disse.
O Primeiro Acorde do Toque
Ricardo não se atirou sobre ela. Aproximou-se devagar, como quem não quer espantar um animal selvagem — ou como quem respeita o suficiente para não transformar aquele momento em algo precipitado. A mão dele subiu ao rosto de Mariana e afastou uma mecha de cabelo atrás da orelha. O toque foi tão leve que ela quase duvidou que tivesse acontecido, até que os dedos dele deslizaram pelo contorno da mandíbula e a obrigaram a olhar para cima.
O primeiro beijo foi exploratório, questionador. Os lábios dele eram macios e mornos, e sabiam a vinho tinto. Mariana respondeu com a mesma hesitação, como se estivessem testando a temperatura da água antes de mergulhar. Mas quando a língua dele encontrou a dela, a hesitação derreteu.
Ela agarrou a camisa de linho dele e puxou-o mais para perto. Ricardo emitiu um som baixo na garganta — algo entre um suspiro e um gemido — e a mão que estava no rosto dela desceu para o pescoço, depois para o ombro, empurrando o moletom para o lado até revelar a alça do sutiã preto.
— Isso é muito Porno for Pyros — ele murmurou contra a boca dela, e Mariana riu entre beijos.
— Desliga então.
— Nem pensar. Essa é a nossa trilha.
A mão dele encontrou a barra do moletom e, com um gesto de concordância silenciosa de Mariana, puxou a peça para cima. Ela ergueu os braços e deixou o tecido cair no chão. Ficou apenas com o sutiã preto e a calcinha combinando, sentindo o ar fresco do apartamento na pele e o olhar de Ricardo como uma lâmina quente percorrendo cada centímetro do corpo dela.
— Você é linda — ele disse, e não parecia um elogio automático. Parecia uma constatação dolorosa.
Corpos em Harmonia
Mariana puxou a camisa dele e Ricardo a tirou em um movimento fluido. O torso era mais definido do que ela lembrava — meses surfando na costa portuguesa tinham deixado marcas. Ela passou as mãos pelo peito, pelos pelos escuros que desciam do abdômen e desapareciam na cintura da calça. Cada toque era uma nota na melodia que estavam construindo juntos.
Quando ele a deitou no sofá e se posicionou sobre ela, Mariana sentiu o peso dele — reconfortante, excitante, real. A boca de Ricardo desceu pelo pescoço, encontrando o ponto logo abaixo da orelha que a fez arquear as costas. Ele deslizou a mão pelas costas dela, encontrando o fecho do sutiã e abrindo-o com habilidade que não deixou espaço para interrupção.
Os seios dela ficaram expostos e Ricardo cobriu um com a boca, enquanto a mão massageava o outro com pressão firme e deliberada. Mariana enfiou os dedos no cabelo dele e gemeu — um som que a surpreendeu pela intensidade, como se o corpo estivesse liberando algo que estava preso há semanas.
— Não para — ela sussurrou.
A boca dele desceu pelo estômago, mordiscando a pele macia acima do osso do quadril. Quando chegou à barra da calcinha, olhou para cima, esperando. Mariana ergueu os quadris e ele a removeu lentamente, como se estivesse desenrolando um presente que queria que durasse.
A primeira vez que a língua dele a tocou, Mariana agarrou as almofadas do sofá. Ele trabalhava com uma paciência devastadora, alternando entre lamber e sugar, encontrando o ritmo exato que fazia as pernas dela tremularem. Os acordes de “Sadness” continuavam ao fundo, e a batida hipnótica da música parecia sincronizar com os movimentos da língua dele, criando um loop sensorial que a fazia perder a noção do tempo.
Quando o orgasmo a atingiu, foi como uma onda que começou distante e se transformou em algo que a arrastou inteira. Ela gritou o nome dele e Ricardo não parou, prolongando a onda até que ela implorasse para ele subir.
O Clímax da Noite
Mariana puxou a calça dele para baixo com urgência. Quando o encontrou duro e quente na mão, ele pigarreou — um gesto quase virginal vindo de um homem que acabara de a fazer ver estrelas. Ela sorriu e o guiou até a entrada dela, ambos ainda ofegantes.
— Tem certeza? — ele perguntou, mais uma vez.
— Me entra — ela respondeu, sem espaço para dúvidas.
Ricardo penetrou-a devagar, com uma profundidade que a fez abrir a boca em um silêncio que não era silêncio nenhum — era o som de todas as palavras que não cabiam naquele momento. Ele se moveu com um ritmo que oscilava entre brando e intenso, como se estivesse traduzindo a música em movimento. Cada thrust era um acorde, cada retirada uma pausa, cada volta um refrão que construía tensão.
Mariana envolveu as pernas ao redor da cintura dele e encontrou os lábios de Ricardo em um beijo selvagem, com dentes e língua e saliva. As mãos dela corriam pelas costas dele, deixando talvez marcas que ele carregaria no dia seguinte — e ela queria que carregasse.
O segundo orgasmo veio junto com o dele. Ricardo enterrou o rosto no pescoço de Mariana e gemeu algo ininteligível em português enquanto se liberava dentro dela. Os corpos tremeram juntos, grudados pelo suor e pelo êxtase, enquanto “Sadness” chegava ao fim e dava lugar ao silêncio preenchido apenas pela chuva e pela respiração ofegante de ambos.
A Manhã Sem Trilha Sonora
Eles não dormiram logo depois. Ficaram enroscados no sofá, com uma manta grossa puxada da poltrona, bebendo o vinho português que Ricardo havia trazido e conversando em murmúrios sobre coisas sem importância. Às vezes ele a beijava na testa. Às vezes ela passava os dedos pelo peito dele, reescrevendo com as pontas dos dedos mapas que só eles conheciam.
Quando o sol começou a nascer e a chuva finalmente parou, Mariana percebeu que a tristeza ainda estava lá — mas tinha mudado de forma. Não era mais um peso que a esmagava; era algo que cabia no peito junto com o calor daquela noite.
— O que a gente faz agora? — ela perguntou, a voz sonolenta.
Ricardo apertou-a contra o peito e beijou o topo da cabeça dela.
— Agora a gente dorme um pouco. E depois, se você quiser, a gente toma café. E depois a gente vê. Sem pressa.
Mariana sorriu de olhos fechados. Pela primeira vez em semanas, o silêncio do apartamento não parecia vazio. Parecia um começo.